Pesquisadora do LIM 23 participa do Programa Lown Scholars na Universidade de Harvard

28 de agosto de 2017

Fachada da Harvard T.H Chan School of Public Health.

Fachada da Harvard T.H. Chan Escola de Saúde Pública (Foto: Arquivo pessoal da Dra. Marcia Scazufca).

A psicóloga e pesquisadora do Laboratório de Investigação Médica em Psicopatologia e Terapêutica Psiquiátrica (LIM 23), do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP), Dra. Marcia Scazufca, participou como convidada, entre julho e agosto de 2017, do Programa Bernard Lown Scholars em Saúde Cardiovascular, da Universidade de Harvard T.H. Chan Escola de Saúde Pública, em Boston, nos Estados Unidos.

O programa foi criado em 2008 em homenagem ao cardiologista e ativista de renome mundial, Dr. Bernard Lown, criador do desfibrilador para reanimação cardíaca e vencedor do Prêmio Nobel da Paz, em 1985, por sua ação conjunta com outros médicos na divulgação de informações relevantes para a prevenção da guerra nuclear. O programa já apoiou 37 ‘Scholars’ – designação dada aos pesquisadores associados ao programa – de vários países da Ásia, América Latina, África e Oriente Médio, sendo que três Scholars são do Brasil. Desde 2016, o diretor do programa é o Dr. Goodarz Danaei, professor associado de Saúde Global da Harvard T.H. Chan.

O objetivo do programa é a criação de um quadro de profissionais talentosos na utilização de estratégias de saúde pública para a prevenção de doenças cardiovasculares e para melhorar a saúde cardiovascular nos países em desenvolvimento (o site do programa pode ser acessado aqui). No ano de 2017, teve como prioridade três áreas de estudo, entre elas, a de estresse psicossocial e doença cardiovascular – área da qual a Dra. Scazufca participou.

A pesquisadora conta que neste ano, ela e mais 10 pesquisadores de diferentes nacionalidades foram selecionados para participar do Programa Bernard Lown Scholars. A Dra. Scazufca informa que agora o seu vínculo com o programa é permanente, o que facilita colaborações com outros ‘Scholars’ e membros da Escola de Saúde Pública da Harvard.  Além disso, a cada dois anos ela poderá solicitar recursos do próprio programa, para financiar projetos de pesquisa relacionados à prevenção de doenças cardiovasculares. “O programa tem recursos para financiar cerca de cinco projetos por ano. Não são financiamentos muito grandes, mas poderão ajudar a iniciar projetos individuais ou estudos colaborativos entre Scholars de diversos países”, explica.

De acordo com a psicóloga, neste ano, os Scholars participaram ativamente de discussões de diversos tópicos relacionados à prevenção de doença cardiovascular, com ênfase em intervenções na atenção primária e na comunidade. Participaram destas discussões, o diretor do programa e outros pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard. Na última semana, os Scholars tiveram a oportunidade de apresentar e discutir os projetos que desenvolveram durante o período na Harvard com o professor sir Michael Marmot, atual diretor do Instituto de Inequidades em Saúde da University College London e autoridade mundial na área da epidemiologia da doença cardiovascular.

A Dra. Scazufca lembra que uma das atividades mais interessantes do programa foi a visita que fez, juntamente com dois colegas, uma mexicana e um iraniano, ao próprio Dr. Bernard Lown. “Foram três horas de conversa com o Dr. Lown. Ele nos recebeu em grupos pequenos e nos perguntou sobre nossas atividades, projetos e como nós podemos ajudar a melhorar a saúde da população dos nossos países. O Dr. Lown é extremamente ativo, tem ideias vibrantes e atuais. Agora que não estamos em Boston nos comunicamos com ele através de um grupo no Slack (mídia social) que o próprio Dr. Lown criou para os Scholars”, declara a pesquisadora.

Dra. Scazufca (terceira da esquerda para a direita) e seus colegas em visita à casa do Dr. Bernard Lown.

Dra. Scazufca (terceira da esquerda para a direita) e seus colegas em visita à casa do Dr. Bernard Lown (Foto: Arquivo pessoal da Dra. Marcia Scazufca).

A psicóloga também afirma que essa foi uma experiência importante e significativa para o trabalho que realiza no LIM 23 do Instituto de Psiquiatria. “Para mim, abriu uma nova área de trabalho. Vou poder colaborar com pesquisadores que conhecem muito sobre saúde pública e prevenção de doença cardiovascular. São pessoas que trabalham em países que tem problemas de saúde similares aos nossos, países que ainda precisam criar políticas públicas ou melhorar os programas já existentes para atacar os principais determinantes da doença cardiovascular, como dieta, atividade física, tabagismo, violência, inequidades no acesso ao sistema de saúde e estresse, entre outros. A minha maior colaboração foi na área da saúde mental e intervenções comportamentais, que são áreas que eu já trabalho, então acho que foi uma troca de ideias e experiências muito produtivas. Para a instituição [HC-FMUSP] a minha participação e vinculação com este programa também é importante, assim estaremos participando de um grupo internacional que tem como objetivo discutir um dos principais problemas de Saúde Pública no Brasil e em todo o mundo. Eu acho que a nossa instituição só ganha quando estreitamos os vínculos com uma das Escolas de Saúde Pública mais importantes do mundo, como a da Universidade de Harvard”, informa.

Novo projeto

Para participar do Programa Bernard Lown, a Dra. Marcia Scazufca lembra que enviou uma proposta baseada em um projeto que deverá iniciar em breve. O objetivo deste estudo, que é um ensaio clínico, é avaliar um novo programa de tratamento para idosos com depressão atendidos na atenção primária. Os participantes da pesquisa receberão assistência nos seus domicílios, por Agentes Comunitários de Saúde (ACS) treinados e apoiados pela sua equipe do Programa Saúde da Família (PSF).

Segundo a pesquisadora, os ACS vão conversar com os idosos sobre os principais sintomas da depressão e como superar esses problemas. Nas visitas domiciliares, os ACS vão usar um tablete, com um aplicativo desenvolvido para este projeto, que tem uma série de vídeos com animações sobre temas relacionados à depressão. Mais detalhes sobre este estudo e os vídeos podem ser acessados nessa matéria da Agência FAPESP sobre o projeto piloto.

O projeto da Dra. Scazufca recebeu um financiamento conjunto da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do Medical Research Council do Reino Unido. Ela informa que também irá solicitar um financiamento do Programa Bernard Lown para investigar se este novo programa de tratamento para idosos com depressão também terá impacto no controle da hipertensão, muito frequente entre os idosos, e um dos principais determinantes da doença cardiovascular.


Desenvolvido e mantido pela Disciplina de Telemedicina do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP