Pesquisadores dos LIMs recebem prêmios em diferentes áreas

30 de outubro de 2018

Pesquisadores dos LIMs recebem prêmios em diferentes áreas

Reconhecimento conferido aos profissionais mostram a qualidade dos trabalhos realizados nos Laboratórios de Investigação Médica

Ana Claudia Latronico, chefe da Divisão de Endocrinologia e Metabolismo da Faculdade de Medicina, e uma das responsáveis pelo LIM 42 (Laboratório de Hormônios e Genética Molecular), foi uma das 13 endocrinologistas escolhidas pela Endocrine Society para receber o Prêmio Laureate da Society de 2019. Criado em 1944, ele é um reconhecimento para as maiores conquistas no campo da endocrinologia, incluindo pesquisas inovadoras e inovações em cuidados clínicos.

A pesquisa de Ana Claudia sobre causas genéticas da puberdade precoce levou ao primeiro gene associado à forma hereditária desse tipo de caso. A endocrinologista chegou a esse resultado a partir da história de uma menina de apenas cinco anos que já apresentava os primeiros sinais da puberdade, e cuja a avó paterna também relatou ter sido uma criança que tinha amadurecido mais cedo (antes dos dez anos). O resultado foi publicado na New England Journal of Medicine, em 2013.

Ana Claudia iniciou seus estudos nesse campo em 1995 e, em 2004, recebeu o primeiro prêmio da sociedade americana de endocrinologia, voltado para pesquisadores com menos de 40 anos. “Quinze anos depois, vou receber um segundo prêmio para coroar essa trajetória, lembrando que é um trabalho de muitos anos e que envolve muita gente”, diz Ana Claudia, que vai recebê-lo no 101º Encontro Anual da Endocrine Society, em março de 2019, em New Orleans, nos Estados Unidos.

 

Mestres promissores

Entre os alunos da pós-graduação também há o reconhecimento público pelo alto grau das pesquisas realizadas. Tamires Alves Sarno recebeu, em agosto, o Prêmio Juarez Aranha Ricardo 2018, da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC), graças ao seu mestrado, defendido em 2016. Nele, Tamires, que foi aluna do Instituto de Psiquiatria e pesquisadora no LIM 27 (Laboratório de Neurociências), investigou o efeito do cloridrato de donepezila, usado no tratamento da demência de Alzheimer, em determinadas proteínas envolvidas na doença.

(Tamires foi premiada por pesquisar o efeito de um remédio nos pacientes com Alzheimer)

“Outros estudos já diziam que essas proteínas podiam ser encontradas também nas plaquetas de sangue, além de estar nos neurônios. Partindo dessa premissa, busquei saber se o remédio alterava as proteínas a partir da observação das plaquetas”, explica a biomédica, que já apresentou o resultado do seu trabalho em três congressos internacionais sobre Alzheimer. “Em uma área em que há dificuldade de diagnóstico por causa do não acesso ao cérebro, as plaquetas podem ser consideradas uma matriz biológica promissora para o estudo de biomarcadores”.

Outro mestre premiado é Elder Al Kondari Messora, do Departamento de Medicina Preventiva. Ele ganhou o Prêmio de Melhor Tese e Dissertação 2018 da Sociedade Brasileira de História da Ciência (SBHC). Messora estudou as narrativas sobre o câncer, em São Paulo, entre os anos de 1892 e 1953: a forma como a doença era representada na mídia, nas políticas públicas e nas propostas filantrópicas fizeram com que ela fosse considerado o “mal da civilização”. O trabalho foi orientado por André Mota, do LIM 39 (Laboratório Processamento de Dados Biomédicos).

A cerimônia de premiação será no dia 18 de outubro, na Universidade Federal de Campina Grande (PB), durante o 16º Seminário Nacional de História da Ciência e Tecnologia. “Fiquei muito entusiasmado com o prêmio e imediatamente divulguei para os colegas do grupo de estudos do departamento e para os professores da Escola Móvel do hospital do GRAACC, com quem compartilho o dia a dia de trabalho”, conta Elder.

(Elder (no meio) pesquisou as narrativas sobre câncer entre 1892 e 1953, em São Paulo)

Mulheres pioneiras

Considerada um dos maiores nomes do país em imunologia aplicada à pediatria, a professora Magda Maria Sales Carneiro Sampaio, coordenadora do LIM 36 (Laboratório de Pediatria Clínica), recebeu uma justa homenagem no início de setembro: ela foi indicada pela Clinical Immunology Society (CIS) como uma das cinco pioneiras mundiais na área de Imunologia Clínica. O objetivo da homenagem é apoiar e incentivar o avanço das mulheres em todos os níveis para atingir seu pleno potencial acadêmico. Na ocasião, foi criada a Women in Clinical Immunology Sciences (WCIS) com o intuito de capacitá-las para serem melhores líderes e cientistas.

Em seu agradecimento, Magda lembrou do incentivo recebido ao longo de sua carreira, “especialmente quando confrontados com circunstâncias que envolvem preconceitos de gênero”. Mas destacou que “essas situações nunca me afetaram profundamente, talvez como consequência de ouvir desde cedo de minha mãe que as experiências de vida de uma mulher eram geralmente mais interessantes. E também por meu pai, um erudito e um grande apoiador de suas quatro filhas”.

 

Débora Rubin/ Comunicação LIMs (com informações do Portal da FMUSP)


Desenvolvido e mantido pela Disciplina de Telemedicina do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP